A corrida de rua na vida de portadores de deficiências visuais

Mesmo em pleno século XXI, pessoas que apresentam algum tipo de deficiência sofrem para conseguir se adaptar na sociedade. As corridas de rua, por exemplo, atraem muitos deficientes visuais, porém não oferecem uma boa infraestrutura para o atleta. O educador físico, William Meirelles, personal trainer, especializado na orientação de atletas para corridas de rua afirma que a cidade ainda não proporciona segurança e acessibilidade para o deficiente visual. “O deficiente visual mal se locomove pela cidade, imagina praticar uma atividade física. Quando o atleta está acompanhado as dificuldades são de estrutura, tais como: buracos em ruas, calçadas mal conservadas e, claro, motoristas mal educados”, completa.
Com tantas dificuldades, o papel do orientador torna-se essencial na vida do atleta. O papel do profissional em educação física, de acordo com William, além de mostrar todos os benefícios que a atividade física proporciona e ajudá-lo no treinamento físico, é ladeá-lo durante a corrida, orientando qual direção o atleta deve tomar e avisar todos os detalhes que podem comprometer sua corrida. “O treinamento com pesos é feito em academia, para manutenção e equilíbrio muscular e ganho de força e o treinamento de corrida é feito ora na esteira, ora em parques ou ruas da cidade”, destaca.

William Meirelles acompanhando seu aluno Eusébio durante corrida

Os exercícios não são muito semelhantes para uma pessoa com deficiência visual e outra com a visão boa. Conforme explica o educador físico, o ganho do deficiente visual é um pouco diferente, principalmente, na parte de coordenação motora, mas o treinamento para o deficiente visual segue as mesmas programações de qualquer pessoa que quer começar a correr, tanto no treinamento quanto na alimentação. “Lembro que não tem moleza. Entrou na pista é para suar a camisa e qualquer atleta que apresente deficiência visual, seja amador ou profissional, infelizmente, para ir às ruas tem que estar acompanhado. Não tem como enfrentar os perigos da rua sozinho”, ressalta.
As corridas de rua ainda dificultam a inclusão de portadores de deficiências visuais. Apesar de algumas provas já inserirem essas pessoas, ainda existem muitos problemas. Segundo William, as provas que são organizadas pelas secretarias de esporte das cidades já incluem esse público nas corridas e até premiam em categorias separadas. Nas provas com organização particular eles não têm esse cuidado com os deficientes visuais, no entanto, o que espanta nas duas organizações é que elas pecam em muitos detalhes, como por exemplo, na contratação de pessoas que cuidam do percurso das provas, pois eles não sabem lidar com os deficientes visuais. Outro ponto importante: todos os banheiros, normalmente, têm a mesma cor, o que diferencia são as “placas” minúsculas com o desenho do menino (todo reto) e da menina (com a saia).

Nas ruas, deficientes visuais sempre precisam estar acompanhados

“São problemas que parecem pequenos, mas fazem toda a diferença. Estava em uma prova em que o percurso se dividia em 5 km para direita e 10 km para a esquerda e o orientador da prova simplesmente falou: “5km para cá e 10 km para cá”. Como um cego vai administrar essa demonstração? Pessoas com deficiência visual não conseguem, dessa forma, diferenciar cores de banheiros e direções não especificadas. Falta bom senso aos organizadores das provas”, finaliza William.

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