Natação: um esporte que teve seu auge no Paraná

Dentre as diversas modalidades esportivas praticada em nosso país, existe uma, muito conhecida e que já trouxe diversos títulos olímpicos por nomes sempre lembrados. Estamos falando da natação. Os nomes que nos vêm à cabeça, quando falamos deste esporte são: Fernando Scherer, Gustavo Borges e, mais atualmente, Cesar Cielo.

A verdade é que este já foi um esporte muito mais conhecido, com diversos nomes a serem lembrados e citados, inclusive no nosso estado, o Paraná.

Um exemplo que podemos dar de Curitiba é Ilana Kriger. A história desta grande nadadora se mistura com a história do Clube do Golfinho, que foi criado na década de 1970, por um grupo de pais e era tido como referência da natação de alto nível da época. “Na metade dos anos 1970 se tornou concreto o sonho de um grupo de pais que se juntou para criar um espaço para que seus filhos pudessem treinar e competir de igual para igual com o melhor da natação nacional”, explica Ilana.

Entretanto, o Clube começou a ser gestado alguns anos antes, dentro do Centro Israelita do Paraná (CIP). Nos anos 1960, na Sociedade Água Verde, muitas crianças aprenderam a nada e, graças à maneira do técnico Paulo Falcão ensinar, boa parte delas se apaixonaram pelo esporte.

Clube do Golfinho durante o seu auge

Mas, a Água Verde parou de ceder seu espaço para as aulas de natação, Paulo foi desligado e, em seguida, contratado pelo CIP e os seus alunos foram atrás.  Apesar da força de vontade do técnico e de seus atletas, o treino no Centro Israelita era feito de forma precária. “Era um clube social e os alunos tinham que dividir o espaço da piscina com os sócios que iam lá para se divertir”, comenta Ilana.

Mesmo assim, a determinação das famílias fez com que se criasse um grupo forte e foi desta união que surgiu a ideia de nomear a equipe de “Golfinho”.

Dentre os pais destes jovens nadadores, estava Berek Kriger, que deixou marcas eternas na história da natação paranaense. A relação do empresário com o esporte começou quando colocou seu filho mais velho, Joel a nadar na Água Verde. Logo que se formou a equipe do CIP, Ilana começou a nadar.

Em seguida ele se tornou presidente da Associação de Desportos Aquáticos do Paraná e passou a ter contato com os principais dirigentes do setor no Brasil.

“Em 1972 meu pai criou o Troféu José Finkel, que se tornou um marco na natação competitiva de nosso país e, em 2010, chegou à 39ª edição como um dos principais torneios nacionais”, relata Ilana.

O nome do troféu é uma homenagem a um jovem atleta do Centro Israelita, José Finkel, que aos 17 anos era a principal promessa paranaense da época. Era o melhor peitista do estado e quem acompanhava seu trabalho sabia que era questão de tempo para que se tornasse destaque nacional. Infelizmente não houve tempo. Repentinamente o jovem começou a sentir-se mal e, após a realização de alguns exames foi detectado um câncer linfático. O falecimento de José veio poucas semanas depois. A comoção foi grande e também provocou o afastamento de atletas do CIP, pois muitos acreditavam que a doença era consequência do treinamento em águas geladas. E foi por esta razão que Berek Kriger criou o troféu, para homenagear o jovem talento que faleceu tragicamente.

Berek Kriger durante uma reunião no 2º ano do José Finkel, em 1973

Juntamente com isto, veio a questão de que o Brasil não era competitivo porque parava de treinar no inverno, quando aconteciam as competições no Hemisfério Norte. Então foi criado um sistema de aquecimento nas piscinas do Israelita e, na primeira edição do José Finkel, teve a participação dos principais clubes do Rio de Janeiro e São Paulo. “Apesar desta iniciativa, as dificuldades continuavam a existir no CIP, pois no verão eram utilizadas cinco das seis raias das piscinas, o que tomava o lugar dos sócios. A diretoria do clube chamou os pais e deu um prazo para que encontrassem uma solução”, conta Ilana.

Foi assim que surgiu, definitivamente, a ideia de um clube apenas para jovens nadadores, o Clube do Golfinho. Foi comprado um terreno de 16 mil metros quadrados pelos pais destes atletas. Com isso foi feita uma mobilização para que outros pais e amigos ajudassem comprando títulos. Em pouco tempo 250 títulos estavam vendidos. Todos colaboravam como podiam e, em seguida, começou a construção de três piscinas. Em dezembro de 1975 foi inaugurado oficialmente. Neste meio tempo, Berek Kriger foi preso, pois era socialista, mas esteve sempre ligado ao clube, até 1980. No ano seguinte construiu  o Centro de Natação Berek Kriger, inaugurado 1982 e funcionou até 2002, um ano após o falecimento do mesmo, em 29 de abril de 2001.

Antes de afastar-se do clube, porém, Berek deixou toda a estrutura para que o Golfinho crescesse. Mas, dentre todos estes fatos, talvez a maior alegria dele tenha sido ver sua filha Ilana bater o recorde sul-americano dos 200 m de costas, em 1977. Dois anos depois, foi construída a piscina de 50 metros, marco na história do clube. Nos anos seguintes, bater recordes tornou-se algo comum para o clube, se firmando assim, na década seguinte, como uma das forças da natação brasileira.

Porém, brigas internas passaram a acontecer com o sucesso externo. Alguns pais começaram a sentir que seus filhos não ganhavam a devida atenção que outros estavam tendo e por isso eles estavam entre os primeiros e os seus não. Há quem diga que os problemas estavam na má administração. Entretanto, a maioria concorda que o verdadeiro motivo tenha sido a saída dos pais fundadores. Conforme os filhos iam crescendo e encerrando suas carreiras nas piscinas, eles também iam se afastando. Então vieram as dívidas, que fizeram com que a sede do clube fosse incorporada pela Sociedade Juventus, que faliu em 2003. O local, atualmente, está abandonado e sem cuidados.

Antes da existência do Clube do Golfinho, nenhum nadador paranaense tinha conquistado destaque na natação nacional. A primeira a realizar esta façanha foi Ilana Kriger. Aos 16 anos, estudando e morando em São Paulo, mas nadando pelo Golfinho, ela bateu o recorde sul-americano dos 200 metros de costas, no Minas Tênis Clube, em Minas Gerais, no dia 3 de fevereiro de 1977. “Quando entrei na piscina aquele dia, senti que ficaria entre as primeiras. Isso porque meses antes, no campeonato estadual, me classifiquei para o Troféu Brasil de Natação, com o tempo de 2 minutos, 29 segundos e 11 décimos, um segundo e 60 décimos acima do recorde que pertencia à Rosamaria Prado, do Andradina Tênis Clube”, conta.

O que Ilana não esperava era que, dois minutos, 25 segundos e 88 décimos depois, teria todas as atenções dos que acompanhavam o primeiro dia de provas no principal campeonato nacional, voltadas para ela.

Ilana Kriger na prova em que bateu o recorde sul-americano - 1977

Ao ser entrevistada a nadadora confessou não esperar tanto assédio após a prova. “Estou confusa. Não sabia que um recorde é tão importante. Estou impressionada com o número de pessoas que se aproximam de mim, para conversar e entrevistar. Desculpe se não responder direito às perguntas”, relembra.

O empenho de Ilana garantiu sua presença na Copa Latina, que foi realizada em Roma, em março, na qual voltou a bater o recorde, baixando-o para 2:25:20.

Apesar da pouca idade, Ilana computava dez anos de competições, dentre eles participações internacionais no Chile, Uruguai e França. Entretanto, os ótimos resultados não foram suficientes para manter a nadadora no esporte. No mesmo ano em que bateu recordes, mudou-se para Califórnia, nos Estados Unidos. A explicação para o abandono das piscinas é simples. “Não fui para o clube americano ideal e acabei desmotivada. Os resultados que tive por lá me fizeram acreditar que não conseguiria um bom desempenho no ano seguinte”, conta.

Viu-se cansada também da rotina de treinos e decidiu dedicar-se aos estudos. Passou no vestibular para o Curso de Desenho Industrial e voltou a morar em Curitiba.

Atualmente Ilana é diretora de Varejo na Área de Tecnologia Educacional da  Positivo Informática Mas, as lembranças do Clube do Golfinho continuam vivas em sua memória, assim como o esforço e dedicação de seu pai e dos demais fundadores do clube para transformar a cidade em uma potência da natação. “Por isso torço para que o poder público encampe o que sobrou do clube e o use para prestar um serviço à comunidade, ensinando a natação para as novas gerações”, ressalta.

Thalma, Ilana e Rosa Kriger: momentos de alegria com a natação

Fonte: Swim It Up

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