Sídrome do Corredor–Fáscia Lata

Síndrome da fáscia lata é a causa mais comum de dor lateral na perna de corredores.    Foi descrita pela primeira vez em 1975, em marinheiros americanos submetidos a          exercícios exaustivos. (RENNE, 1975; TENFORDE et al., 2011)

DOR LATERAL NO JOELHO DURANTE CORRIDA

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A síndrome da fáscia lata pode ser chamada de síndrome do corredor ou síndrome do montanhista. Esses nomes se dão pela frequência desta patologia nestas modalidades.

A principal teoria etiológica é o atrito da fáscia lata contra o epicôndilo lateral. Os defensores deste princípio alegam que em torno de 30 graus pode haver um atrito destas estruturas levando ao quadro doloroso.

FÁSCIA LATA EM ATRITO COM O EPICÔNDILO MEDIAL

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Outra hipóteses é de que haja um aumento da atividade inflamatória. Ela pode acontecer no tecido gorduroso abaixo da fáscia lata ou em bursa abaixo da fáscia. Os defensores da segunda hipótese alegam que não há atrito da fáscia lata com o epicôndilo lateral.

A apresentação do quadro clínico é variado, porém a dor é sempre a queixa principal. Os esportes mais relacionados com esta patologia são a corrida, ciclismo e triathlon. A dor é lateral, e se inicia após 15 a 30 minutos de prática física. Ela é progressiva e aumenta até o atleta diminuir ou desistir da atividade que esta realizando. A dor melhora rapidamente após parada.

O exame físico é limitado. A manobra de Noble é a mais importante. Nela se faz o movimento do flexo-extensão com pressão sobre o epicôndilo lateral do fêmur. A dor acontece com cerca de 30 graus de flexão. O teste de Ober e Thomas podem ser usados para avaliar a tensão na fáscia lata.

O diagnóstico diferencial fica por conta da lesão do menisco lateral, síndrome do poplíteo, síndrome do bíceps (snapping knee), lesão condral lateral, tendinopatia bicipital, fratura por stress e patologias do ligamento colateral lateral.

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O tratamento inicial é conservador:

a) Alongamento da Fáscia Lata – um dos principais pontos do tratamento conservador é o alongamento. Existem várias técnicas de alongamento da fáscia lata, que devem idealmente ser orientada por profissional de educação física ou fisioterapia.

ALONGAMENTO DA FÁSCIA LATA

Imagem retirada de: http://rpm-therapy.com/2012/trigger-point-pain-tensor-fasciae-latae/tensor-fasciae-latae-stretch/

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Para saber mais sobre os alongamentos e exercícios no tratamento desta patologia, recomendo a leitura de: Practical management of iliotibial band friction syndrome in runners.(FREDERICSON; WEIR, 2006)

b) Reforço do glúteo médio – deve ser orientado por profissional de educação física ou fisioterapia.

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Imagem retirada de: http://www.audreysmassage.com/featurepage/gluteal.html

c) AINH – o uso de AINH (medicações anti-inflamatórias não hormonais) tem seu uso limitado, novamente porque não se trata de uma dor contínua e sim de uma dor localizada e que é presente no momento do movimento..

d) Alteração do material esportivo – existem alguns dados na literatura de que a alteração do tênis pode melhorar a dor. Esses dados ainda são limitados e necessitam de mais estudos. (STRAUSS et al., 2011).

e) Alteração da postura no esporte – a postura correta no esporte previne não só a dor lateral como uma série de lesões no esporte. Na síndrome da fáscia lata a correção da postura na bicicleta pode ser fundamental para recuperação do atleta..

f) Infiltração – a infiltração no local com xilocaína e metilpredinisolona tem bons resultados no alívio da dor. (STRAUSS et al., 2011).

g) Alteração da modalidade esportiva – a troca da atividade pode ser resolutiva. A troca entra em questão para pacientes que não tem relação financeira ou emocional com a modalidade que desencadeia a dor. É completamente descartada para atletas profissionais..

Em casos de falha do tratamento conservador, feito corretamente por no mínimo seis meses, esta indicado o tratamento cirúrgico..

O tratamento cirúrgico pode ser dividido em dois princípios:

a) Aberto: parte-se da hipótese de que ha uma fricção da fáscia lata com o epicôndilo lateral, então é preciso alongar a fáscia. Existem algumas técnicas de alongamento e outras de secção da porção que ocorre o atrito.

TÉCNICA CIRÚRGICA DE ALONGAMENTO DA FÁSCIA LATA

Imagem retirada de: The Journal of the American Academy of Orthopaedic Surgeons, v. 19, n. 12, p. 728-36, 2011..

b) Artrocópico: baseado na hipótese de que a dor vem de alteração do tecido abaixo da fáscia, alguns autores propuseram a retirada deste tecido por artroscopia. Na serie do autor ha uma melhora em 100% dos casos em três meses. Apesar dos excelentes resultados é preciso mais trabalhos para que esta técnica se consolide. (MICHELS et al., 2009)

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REFERÊNCIAS

FREDERICSON, M.; WEIR, A. Practical management of iliotibial band friction syndrome in runners. Clinical journal of sport medicine : official journal of the Canadian Academy of Sport Medicine, v. 16, n. 3, p. 261-8, 2006. Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16778549&gt;. .

MICHELS, F.; JAMBOU, S.; ALLARD, M. et al. An arthroscopic technique to treat the iliotibial band syndrome. Knee surgery, sports traumatology, arthroscopy : official journal of the ESSKA, v. 17, n. 3, p. 233-6, 2009. Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18985317&gt;. Acesso em: 13/3/2012.

RENNE, J. W. The iliotibial band friction syndrome. The Journal of bone and joint surgery. American volume, v. 57, n. 8, p. 1110-1, 1975. Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/1201997&gt;. Acesso em: 7/7/2012.

STRAUSS, E. J.; KIM, S.; CALCEI, J. G.; PARK, D. Iliotibial band syndrome: evaluation and management. The Journal of the American Academy of Orthopaedic Surgeons, v. 19, n. 12, p. 728-36, 2011. Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22134205&gt;. Acesso em: 28/6/2012.

TENFORDE, A. S.; SAYRES, L. C.; MCCURDY, M. L. et al. Overuse injuries in high school runners: lifetime prevalence and prevention strategies. PM & R : the journal of injury, function, and rehabilitation, v. 3, n. 2, p. 125-31; quiz 131, 2011. Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21333951&gt;. Acesso em: 7/7/2012.

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One thought on “Sídrome do Corredor–Fáscia Lata

  1. Obrigado pelos esclarecimentos, tenho uma aluna que tem uma leve tendinite na facia lata e uma burcite trocantérica, creio que haja uma grande relação entre as duas e pretendo trabalhar alongamentos dos músculos abdutores e evitar a compressão dos mesmo retirando os exercícios que atuam nessa região.

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