A Ginástica Artística como desenvolvimento da criança

Um esporte que ganhou bastante espaço em nosso país foi a Ginástica Artística, mais conhecida como Ginástica Olímpica. Trata-se de um conjunto de exercícios corporais sistematizados, aplicados com fins competitivos, onde se conjugam a força, a agilidade e a elasticidades.

Esta modalidade ganhou destaque na Grécia, tornando-se uma atividade de fundamental importância no desenvolvimento cultural do indivíduo.

Exercícios físicos eram motivo de competição entre os gregos, prática que caiu em desuso com o domínio dos romanos, mais afeitos aos espetáculos mortais entre homens e feras.

Durante a sangrenta Idade Média, houve um desinteresse total pela ginástica como competição, e o seu aproveitamento esportivo ressurgiu na Europa apenas no inicio do século XVIII. Foram então criadas a Escola Alemã (caracterizada por movimentos lentos e rítmicos) e Sueca (à base de aparelhos). Elas influenciaram o desenvolvimento do esporte, em especial o sistema de exercícios físicos idealizado por Friedrich Ludwig Jahn (1778-1852), o Turnkunst, matriz essencial da ginástica olímpica hoje praticada.

A Ginástica Artística (Olímpica) baseia-se na evolução técnica de diversos exercícios físicos. Para os homens, as provas são: barra fixa, barras paralelas, cavalo com alças, salto sobre a mesa, argolas e solo. As mulheres disputam exercícios de solo (com fundo musical) salto sobre a mesa (1,25 m de altura), paralelas assimétricas (de 2,50 m e 1,70m de altura), e trave de equilíbrio (de 10 cm de largura e 5 metros de comprimento).

A primeira participação do Brasil no esporte em uma Olimpíada foi em Moscou-1980, com Claudia Magalhães e João Luiz Ribeiro. Em Los Angeles-1984, Gerson Gnoatto e Tatiana Figueiredo, que terminou na 27º colocação, representaram nossa ginástica. Luisa Parente, que ganhou os Jogos Pan Americanos de 1991, também participou das Olimpíadas de 1988 e 1992; No masculino, Guilherme Saggese Pinto terminou em 89º lugar em Seul, enquanto Marco Antônio Monteiro ficou com 84º posição nos jogos de Barcelona. A ginasta Soraya Carvalho conseguiu se classificar para as Olimpíadas de Atlanta-1996, mas não pode competir devido a uma lesão no tornozelo.

Nos Jogos de Sydney, em 2000, o Brasil conseguiu levar, pela primeira vez, duas ginastas às Olimpíadas (Daniele Hypólito e Camila Comin). Daniele Hypólito entrou para a história da ginástica brasileira ao obter no Campeonato Mundial de 2001, em Ghent, a 1ª medalha de prata por aparelhos, no solo. Em 2003, a ginasta  Daiane dos Santos entra para a história do esporte brasileiro ao se tornar a primeira mulher a conseguir uma medalha de ouro individual.

Entretanto, a prática deste esporte começa muito cedo. Crianças entre 5 e 6 anos passam a treinar diariamente. De acordo com a fisioterapeuta da Confederação Brasileira de Ginástica, Gracia Nara Ferreira Kersten, este esporte ajuda no desenvolvimento motor das crianças, oferecendo flexibilidade, equilíbrio e agilidade.

Por outro lado, dependendo do local onde treinam e da finalidade, muitas destas meninas e meninos mudam suas rotinas. “A rotina delas é diferente de uma criança que não treina, apesar de ser algo mais lúdico. Acredito que essa seja a maior dificuldade dos pequenos, compreender a mudança de hábitos. Já para as mais velhas, acredito que as dificuldades sejam o grau elevado de treinos e, nestes casos, são mais comuns os quadros de lesões. Quando isto acontece, muitas acabam ficando fora das competições e é preciso ajudá-las a entender esta situação”, comenta Gracia.

As lesões mais comuns neste esporte se dividem entre o masculino e o feminino. Para os homens, é comum lesionar os membros superiores, para as mulheres, os membros inferiores. “É comum as meninas terem entorce de tornozelo, quadril, labrum acetabular, na região dos joelhos acontece muito lesões ligamentares e miniscais. É normal acontecer também lesões por stress na tíbia, fíbula, 5ª metatarso (pé), fratura dos ossos do corpo. Também é comum acontecerem lesões do ombro, tornozelo e coluna espondilolistese. Nos meninos as lesões podem ser pelo impacto de ombro, lesão de punho doloroso, tendinite dos extensores e flexores, dos punhos, entorce, síndrome de impacto do tornozelo e joelho, fratura do 5ª metatarso, fratura de cotovelo, punho e antebraço”, explica a fisioterapeuta.

A recuperação de um atleta pós cirurgia, é basicamente igual a de uma pessoa que não pratica esportes, entretanto a intensidade é maior. “O atleta passa por todas as fases normais pós-cirúrgicas, o que diferencia é o ‘prazo de entrega’. As sessões de fisioterapia são mais intensas, procuramos sempre repetir os gestos do esporte durante a sessão. Outra diferença está na recuperação destes atletas, pois a estrutura corporal deles não é igual à de uma pessoa que não pratica atividade física, eles se recuperam mais rápido. As sessões são feitas todos os dias durante várias horas”, ressalta Gracia.

Quando não respeitado o tempo de recuperação, as consequências podem prejudicar a volta do atleta. “Pode haver recidiva, o que influencia na performance do ginasta. Quando não ocorre o procedimento correto de recuperação, normalmente eles voltam aos treinos e até mesmo a competir, porém, em pouco tempo estão novamente com problemas e sentindo dores no mesmo local, o que possibilita novas lesões”, alerta.

Fonte: CBG – Confederação Brasileira de Ginástica

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