Absa Cape Epic – uma prova cheia de desafios e superações

O mountain bike nasceu na Califórnia em meados da década de 1950 por meio de brincadeiras de alguns ciclistas e de alguns surfistas que procuraram desafios bem diferentes das competições de estrada tradicionais e atividades para dias sem ondas.
Os primeiros nomes que apareceram foram: James Finley Scott, provavelmente a primeira pessoa a modificar uma bike exclusivamente para andar na terra – em 1953 – que utilizou uma Schwinn com pneus largos; Tom Ritchey e Gary Fisher, pioneiros na prática do desporto e no desenvolvimento de componentes em série, como futuramente bicicletas próprias para o novo estilo. Fundadores das empresas Gary Fisher e Ritchey; Joe Breeze, que confeccionou a primeira bicicleta para a prática do Mountain Bike, a Breezer # 1, em outubro de 1977.
Daí em diante, o esporte se popularizou e ganhou campeonatos específicos para a modalidade. Dentre eles, podemos citar a Absa Cape Epic, apresentada pela Adidas, e que acontece todos os anos, na última semana de março até a primeira semana de abril. A corrida é realizada ao longo de oito dias e inclui um prólogo de contra-relógio. O percurso muda a cada ano, e atrai amadores e profissionais de mountain bike de todo o mundo. O percurso conta com aproximadamente 800 km da natureza do Cabo Ocidental e cerca de 16.000 m de escalada sobre algumas das passagens mais belas da África do Sul.

Acampamento - Absa Cape Epic 2011 - Fonte: http://www.cape-epic.com/mediagallery.php

Acampamento - Absa Cape Epic 2011 - Fonte: http://www.cape-epic.com/mediagallery.php

Todos os participantes devem se inscrever em duplas. Podem ser homens, mulheres, mistos e Masters. A idade mínima de participação é de 18 anos. Os atletas de uma equipe devem permanecer juntos durante toda a corrida e chegar a linha de chegada até às 17h00, diariamente. Em cada etapa, os vencedores do dia recebem prêmios.
Sem dúvida uma prova muito bem organizada e que proporciona aos participantes um contato único com a natureza e com as belezas exóticas da África do Sul. Porém, para participar desta competição, não basta vontade, é preciso muito treino e dedicação.
E foi exatamente desta forma que o professor de educação física e assessor de exercícios físicos, Gerson Döll, se preparou para esta prova. Dois meses antes do acontecimento, ele e sua dupla, Rogério Zuel Gomes, treinaram sozinhos, pois o primeiro é de Curitiba e o outro de Joinville. “Eu e meu parceiro de dupla conseguimos treinar juntos apenas quatro vezes, pois ele é advogado e professor universitário, então conseguir treinar para ele já é uma grande superação. Sem contar que ele está apenas há dois correndo e é visível a evolução de Rogério”, comenta.
Nos quinze dias que antecederam a prova, Gerson tentou se adaptar com a rotina que sabia que teria na Cidade do Cabo. “Eu acordava às 05h todos os dias, tomava café da manhã e comia novamente só na hora do jantar, pois é exatamente assim que acontece durante as etapas. Porém, a variação de clima, a altitude e o fuso horário não são os meses, então sentimos bastante esta mudança”, destaca Gerson.

Gerson Döll - Absa Cape Epic 2011 - Fonte: http://www.cape-epic.com/mediagallery.php

Além disto, para treinar o professor de educação física ia para Campo Largo, pois como a prova conta com partes montanhosas, o local mais próximo para encontrar montanhas é nesta cidade da região metropolitana de Curitiba.
Antes de começar a competição, os atletas precisam fazer um prólogo da corrida para saber se estão aptos para executá-la. “Ao fazer esta primeira parte, estávamos cientes de que poderíamos participar da prova. No primeiro dia foi tudo tranquilo, conseguimos finalizar a prova. No segundo dia, precisamos escalar 3.300 m. Eu e o Rogério chegamos ao nosso limite, mas, infelizmente, chegamos com dois minutos de atraso, tínhamos que terminar em 10h e fizemos em 10h e 2min, num calor de 43°. Então fomos penalizados com dois minutos e ganhamos um blue board, que não permite mais nenhuma parada nos próximos dias”, explica Gerson.
No terceiro dia seu companheiro Rogério “quebrou”, não teve condições de continuar as etapas seguintes. Então, Gerson teve que seguir sozinho. “Como já havíamos recebido o blue board, não poderia parar. Mas o Rogério foi muito guerreiro, ele foi ao limite e conseguiu se superar. Nos três últimos dias eu consegui pedalar na companhia de dois brasileiros, o Michel Fernandez (cubano que representa do Brasil) e Cláudia Tollendal”, destaca.

Absa Cape Epic 2011 - Fonte: http://www.cape-epic.com/mediagallery.php

Apesar de ter pouco tempo para socialização, pois as provas iniciavam às 7h, terminavam às 17h e às 20h30 estavam todos dormindo, Gerson afirma que as amizades que fez são todas especiais e é um dos pontos positivos que destaca, conhecer novas pessoas. “A dificuldade de se participar de uma prova desta são várias, primeiro é preciso esforço, superação e realização de um objetivo, o de participar da competição. Além disto, existe a dificuldade de encontrar patrocínio, manter os equipamentos que são caros. Mas tudo isto é válido e superado quando encontramos pessoas que apesar de estarem ali competindo, conseguem ser solidárias e ajudar ao próximo. Eu conheci pessoas do mundo inteiro e o lado social que envolve a prova é encantador”, reflete o atleta.
Um detalhe peculiar da Absa Cape Epic é que, ao terminar a competição, no dia seguinte abrem as inscrições para o evento do ano seguinte e, neste ano, após a prova já haviam 100 inscritos. Dentre eles, está Gerson, que pretende voltar no próximo ano e obter um resultado melhor. E o que faz os atletas sentirem vontade de voltar é a organização do evento. “A preocupação que os organizadores têm com os atletas é impressionante. Eles têm um cuidado muito grande, a assistência médica com a qual contamos é muito boa e tudo que eles fazem é em função da integridade e saúde dos atletas. Por isso é uma prova tão competitiva. Sem contar que, ao final do evento, eles nos procuram para saber o que achamos de tudo, organização, instalação, assistência etc. E é tudo excelente, a única coisa que tenho para apontar de ponto negativo é a comida que serviram, que estava muito condimentada e o café que era ruim”, detalha Gerson.

Absa Cape Epic 2011 - Fonte: http://www.cape-epic.com/mediagallery.php

Outro ponto ressaltado por ele é em relação à procura por estas provas de aventura. Muitos alunos estão buscando seus serviços para sentirem-se “vivos”, pessoas com mais de 50 anos procuram provas e esportes que proporcionem adrenalina, que as façam sair do comodismo, que as levem ao limite de seu corpo e querem desafios. “Eu sempre digo que, quem estiver disposto para este tipo de prova deve ir atrás desta vontade, eu me disponho a treinar estas pessoas e ajudá-las a descobrirem que é possível executar uma prova de alta resistência em qualquer idade, basta ter vontade”, finaliza Gerson.

Absa Cape Epic 2011 - Fonte: http://www.cape-epic.com/mediagallery.php

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