Natação

A natação é uma das modalidades esportivas de maior tradição dentro do campo do esporte adaptados, e foi introduzida como esporte de competição após a Segunda Guerra Mundial.
Para adaptar a competição aos nadadores deficientes, cada uma, das quatro federações internacionais, (CP-ISRA, ISOD, IBSA, ISMWSF) elaborou seus próprios regulamentos que incorpora normas específicas para os diferentes tipos de deficiência.
No caso dos deficientes físicos, as diferenças mais significativas são na adaptação das normativas de correção de estilos e nas saídas e viradas, em função das deficiências. De acordo com a deficiência é permitido sair do bloco ou do interior da piscina.
Nas provas dos deficientes visuais, é permitido avisá-los da proximidade da virada ou da saída do bloco, mas não verbalmente. Os competidores B1 são obrigados a usar óculos opacos para competir. A natação para portadores de deficiência possuía duas competições paralelas, a dos deficientes visuais (B1, B2, B3) e para os deficientes físicos, utilizando-se o símbolo S1 a S10 para as provas de estilo livre, costas e golfinho e SB1 a SB10 para estilo de peito. Atualmente, os portadores de deficiência visual competem nas classes B11, B12, B13 e os deficientes cerebrais se agrupam na classe B14, facilitando assim a identificação do tipo de deficiência.

No final do século XIX e início do século XX, os exercícios aquáticos começaram a ser utilizados como meios corretivos eficientes, e as doenças reumáticas e do aparelho locomotor recebem o tratamento pioneiro nas estâncias termais européias. Mais tarde, novos métodos surgiram, ressaltando o valor do exercício terapêutico dentro da água.
A natação é uma das modalidades que participa dos Jogos Paraolímpicos, e o Brasil possui representantes na natação desde 1980. Já conquistamos várias medalhas, inclusive uma de ouro nos Jogos Paraolímpicos de Atlanta, em 1996, com o atleta brasileiro José Afonso Medeiros, nos 50 metros borboleta.
A iniciação da natação para pessoas com deficiência física normalmente se dá através do Método Halliwick, que ensina desde o controle respiratório até os movimentos básicos de um nado. A partir daí, são utilizadas técnicas de aprendizagem dos nados como na natação normal, sempre respeitando a individualidade e a capacidade de cada pessoa.
Desde que as regulamentações dos esportes adaptados foram se estabelecendo, existem classificações para enquadrar as pessoas deficientes em níveis adequados para competições esportivas. Os critérios de classificação obedecem ao grau de deficiência neurológica e de habilidade funcional apresentados.

Na modalidade da natação, atualmente a Federação Internacional dos Jogos de Stoke Mandeville (ISMGF) e a Associação Brasileira de Desporto em Cadeira de Rodas (ABRADECAR), seguem as normas e regulamentos definidos pelo Comitê Paraolímpico Internacional (IPC). Para a competição, são elegíveis todos os portadores de disfunções e incapacidades locomotoras, sendo que a ISMGF e a ABRADECAR ficam com a liberdade para expandir a participação de outros portadores de deficiências locomotoras, que não os lesados medulares, portadores de poliomielite e amputados de MMII, elegíveis em seus estatutos. Esta ampliação de participação deve ser definida em cada evento competitivo, caso contrário, a classificação fica restrita aos atletas elegíveis nos estatutos da ISMGF.
A capacidade locomotora do nadador é avaliada no teste de banco. Após este, o mesmo será avaliado na piscina, nadando, o que constitui o teste de água. Toda capacidade locomotora é examinada para: determinação de pontos para o teste da força muscular e/ ou; determinação de pontos para o teste da coordenação e/ ou; determinação de pontos para a mobilidade articular e/ ou; medição do membro amputado e/ ou; medição do tronco.
O nadador sem deficiência motora atinge 300 pontos para as modalidades S e 290 para as modalidades SB.

Modalidades S, nados: Livre, Costas e Borboleta _ braços 130 pontos, pernas 100 pontos, tronco 50 pontos, saída 10 e viradas 10 pontos; Modalidade SB; Nado de Peito – braços 110 pontos, pernas 120 pontos, tronco 40 pontos, saída 10 pontos e viradas 10 pontos.
As modalidades S e SB, na ficha de teste, indicam que os pontos devem ser contados para as respectivas modalidades, ou seja, para as do tipo S: nado estilo livre, nado de costas e nado borboleta, a qual possui 10 classes; ou para as do tipo SB: nado de peito, a qual possui 9 classes; ou mesmo para ambas. O déficit mínimo para estar apto a competir é uma perda de 15 pontos.
O procedimento de teste dentro da água vem imediatamente após a determinação dos pontos calculados no teste de banco. Lembrando que o teste dentro da água é, de longe, a parte mais relevante, no processo de classificação.
O esporte é tão importante para uma pessoa com incapacidade física quanto para um indivíduo saudável. Embora nem todos os indivíduos com incapacidades tenham o desejo de se tornar um atleta, a participação esportiva traz vários benefícios.
Foi nesta modalidade que o jovem atleta Bruno Araújo Barnabé encontrou motivação e talento. Praticante do esporte desde os sete anos, na cidade de Pinhais, região metropolitana de Curitiba, o nadador comenta que a natação fez toda a diferença em sua vida. “Hoje eu consigo andar, tenho uma boa qualidade de vida e consegui realizar um sonho”, conta.
Com o apoio da família e dos treinadores, Bruno conseguiu conquistar três medalhas de ouro nos Jogos Escolares, que aconteceu em julho. Mas, para chegar até ai, ele precisou de muito treino. “Em época de competições eu treino de segunda a sexta, em Pinhais, com o técnico Nero e aqui em Curitiba, com o Rafael. Isso me ajudou a chegar no meu auge. E é assim que eu vou diminuir o meu tempo para que eu possa participar de outras competições”, confessa o jovem.
No ano que vem, Bruno pretende ir melhor preparado física e psicologicamente e, principalmente, deseja baixar seu tempo. A sua próxima competição será o Circuito Loterias CAIXA Brasil que, segundo o próprio atleta lhe trará boas oportunidades.
Além disto, o nadador está se preparando para as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. “Estou ansioso para este evento, pois eu poderei conhecer outras pessoas e terei oportunidade de participar de outras competições”, comenta.

Em maio de 2012, ele pretende participar de uma competição que acontece em Buenos Aires, que também lhe trará uma boa bagagem para ir às Olimpíadas. Será também, seu último ano nos Jogos Escolares, competição que lhe proporcionar ganhar três medalhas de ouro neste ano, as quais ele dedica a sua mãe e duas irmãs. “Cada uma delas (medalhas) é resultado de um trabalho diário. E eu só consigo treinar graças à minha família, que me apóia e me incentiva. Eu acredito que eu conquistei estes três primeiros lugares devido à minha força, foco e disciplina”, destaca.
Mas, não é apenas na natação que se encontram os sonhos deste jovem atleta, Bruno também deseja um emprego na área de jogos digitais, sua outra paixão.
“Quero mostrar para mim mesmo que sou capaz de realizar todos os meus sonhos”, finaliza.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s