Os perigos da transgenia e o incentivo aos orgânicos

É comum ouvirmos falar em alimentos transgênicos, entretanto, nem sempre as explicações são claras e compreensíveis sobre o assunto. Muitas pessoas dividem suas opiniões no que diz respeito à mutação, seja ela como for.

Por outro lado, há quem defenda a transgenia de alimentos, principalmente em relação à fome mundial.

Para compreender a grandeza deste assunto, é preciso voltar um pouco na história: Mendel, ao fazer experimentos com ervilhas, descobriu as leis da hereditariedade, dando início a uma nova ciência, a genética. Seus estudos ficaram abandonados por 35 anos. Somente após a publicação de um artigo em 1865, na Sociedade de História Natural de Brün, eles foram retomados, em 4 de maio de 1900, por Willian Bateson, que os encontrou por acaso na ocasião em que ia apresentar as suas próprias pesquisas, coincidentes com as de Mendel.

Somente em 28 de fevereiro de 1953 é que foi descoberta a estrutura do DNA, por Francis Crick e James Watson que publicaram em 25 de abril do mesmo ano, na Revista inglesa Nature, um artigo no qual explicita uma possível forma de duplicação do material genético, ao concluírem que a estrutura era uma dupla hélice e que os degraus dessa espiral poderiam ser grudados.

O vocabulário científico nunca mais seria o mesmo. Palavras e expressões como engenharia genética, transgenia, teste de DNA, se tornaram habituais no  dia a dia.

Os alimentos transgênicos envolvem uma discussão muito profunda e dividida não só nos meios científicos, mas também entre a população, de forma geral.  Os transgênicos são basicamente organismos geneticamente modificados (OGMs) e frutos da biotecnologia. Por meio desta técnica, genes são retirados de uma espécie animal ou vegetal e inseridos em outras. Quebra-se a cadeia de DNA em certos locais, onde são inseridos segmentos de outros organismos; em seguida, costura-se novamente a sequencia restabelecendo a cadeia, porém, modificada. Com esta técnica, são criadas formas de animais e vegetais que jamais ocorreriam normalmente na natureza. Esta técnica pode gerar inúmeros problemas, pois o lugar onde o gene é inserido não pode ser controlado completamente e poderemos ter resultados inesperados.  Também não existem sistemas para avaliar os efeitos dos transgênicos nas próximas gerações e no meio ambiente e, por esta razão, é que muitos países não permitem que alimentos transgênicos sejam produzidos ou comercializados em seus domínios.

De acordo com o sanitarista Alfredo Benatto, diversos países, entre eles os Estados Unidos, Canadá, Argentina e o Brasil, continuam a aprovar o cultivo e distribuição destes alimentos em seus estados, mas na maioria dos casos, as decisões foram baseadas em laudos fornecidos pelas próprias empresas produtoras. Na União Européia existe um critério mais rigoroso, e o plantio e comercialização estão suspensas em muitas regiões, pois não se consegue garantir os padrões de segurança para a saúde humana e ao meio ambiente.

No Brasil, as empresas que comercializam este tipo de alimentos são: Monsanto, Novartis, Pioneer, Agrevo. “O que chama a atenção é que praticamente todas são originárias de produtoras de inseticidas, herbicidas, fungicidas e todos os tipos de venenos. Uma das maiores do mundo é a Monsanto”, explica Alfredo.

Um herbicida também produzido pela Monsanto, conhecido como “agente laranja” foi usada pelos Estados Unidos na guerra do Vietnã. Ele possui altos níveis de dioxina, substância carcinogênica responsável pela formação de fetos deformados e existem estimativas de que mais de 500 mil crianças nasceram no Vietnã com deformidades devido ao agente laranja.

“A Monsanto comercializa um veneno chamado “Roundup”, que tem como princípio ativo o Glifosato. A soja transgênica “Roundup Ready,” largamente utilizada no Brasil, foi desenvolvida para ser utilizada juntamente com o herbicida Roundup. A parte mais interessante é que ambos são produzidos pela mesma empresa”, ressalta Alfredo.

Aqui no Brasil, a propaganda do produtor é tanta, que este passou a ser conhecido como “o bom veneno” entre vários agricultores. Já na França, em janeiro do ano passado (2010), foi publicada uma pesquisa por um bioquímico da Universidade de Caen, que evidencia este produto como provocador de alergias, necroses e degradações do DNA, em especial nas mulheres grávidas. No mesmo mês a Monsanto foi condenada por um tribunal de Lyon por falsa propaganda.

Vale lembrar que derivados de soja e milho estão presentes em cerca de 70% dos alimentos que consumimos como massas, pães, molhos, batatas, óleos, sorvetes, chocolates, etc.

No ano passado, diversos produtores do Paraná e Rio Grande do Sul detectaram sérios problemas de contaminação da sua soja convencional com a transgênica, e o problema agora é que, se continuar esta situação, em pouco tempo não teremos mais como saber o que é ou não transgênico.

Existe uma grande falta de informações sobre o consumo de alimentos transgênicos e muitos consumidores não estão cientes dos riscos. Porém, o mais trágico desta situação é que em pouco tempo, não teremos mais a opção de evitá-los e perderemos por completo nossa liberdade de escolha.

“De acordo com a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), 15% dos alimentos consumidos pelos brasileiros apresentam taxa de resíduos de veneno em um nível prejudicial à saúde. Segundo dados da ONU (Organização das Nações Unidas), o Brasil é o principal destino de agrotóxicos proibidos no exterior. Dez variedades vendidas livremente aos agricultores não circulam na União Européia e Estados Unidos”, alerta Alfredo.

Diante deste quadro, por meio de uma consulta pública, a Agência está propondo uma atualização da Portaria 03/1992 do Ministério da Saúde.

Com a nova regra, a “apresentação de estudos sobre avaliação de riscos nos trabalhadores rurais será requisito obrigatório para registro de agrotóxicos no Brasil.”

Perante a esta situação, fica cada vez mais evidente que a melhor opção está nos alimentos orgânicos. O produto orgânico é cultivado sem o uso de adubos químicos ou agrotóxicos. As técnicas de produção orgânica são destinadas a incentivar a conservação do solo e da água e reduzir a poluição.

Segundo o Instituto Biodinâmico (IBC), um certificador brasileiro reconhecido internacionalmente, a produção orgânica no Brasil cresce 30% ao ano e ocupa atualmente uma área de 6,5 milhões de hectares de terras, colocando o país na segunda posição dentre os maiores produtores mundiais de orgânicos, principalmente devido ao extrativismo sustentável de castanha, açaí, pupunha, látex, frutas e outras espécies das matas tropicais, principalmente da Amazônia.

Aproximadamente 75% da produção nacional de orgânicos é exportada, principalmente para a Europa, Estados Unidos e Japão. A soja, o café e o açúcar lideram as exportações. No mercado interno, os produtos mais comuns são as hortaliças, seguidos de café, açúcar, sucos, mel, geléias, feijão, cereais, laticínios, doces, chás e ervas medicinais.

De acordo com pesquisa realizada pela ONG Organics Brasil, que reúne empresas exportadoras de produtos orgânicos, as vendas do setor no Brasil alcançaram R$ 350 milhões em 2010. O valor é 40% superior ao registrado em 2009. No Rio Grande do Norte, a produção embora voltada para o consumo interno, registrou aumento de quase 400% de área cultivada no mesmo período, segundo dados da Superintendência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) no Estado.

O crescimento se deve ainda à regulamentação do cultivo, por meio da lei número 10.831, de 23 de dezembro de 2003. Desde janeiro desse ano, quem produz de forma sustentável e livre de agrotóxicos precisa, obrigatoriamente, está certificado junto ao MAPA, com um segundo selo. Antes apenas um selo era emitido pelas empresas certificadoras, fiscalizadas pelo ministério.

Apesar das punições previstas, como multa e apreensão de material, o número de produtores que passaram a oferecer o produto com os dois selos no Rio Grande do Norte ainda é mínimo. Somente 40 produtores estão habilitados, destes, 27 podem ter venda direta, ou seja, pequenos agricultores.

Fontes: O Arquivo, Natureba e Em Defesa da Comida.

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